Ester 4
14 Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?
Você já se achou numa “encruzilhada” – literalmente falando – onde sem saber ao certo que caminho seguir, teve que escolher aleatoriamente e... deu certo, ufa! Pois é, mas poderia ter dado errado também.
Quantas vezes na vida lidamos com o incerto? Quantas vezes temos nossas expectativas frustradas por termos nos iludido com uma realidade que só existia em nossa mente? Quantas vezes estamos diante de duas ou mais decisões que podem nos trazer grandes alegrias se acertarmos e, profundas tristezas se errarmos?
Pois é, a rainha Ester estava nessa “encruzilhada”, o rei fora induzido a assinar uma lei que poderia levar seu povo (os judeus) ao extermínio, por outro lado, mesmo ela sendo rainha, se tentasse ir à presença do rei sem autorização deste e, pior ainda, intercedendo pelo seu povo, também poderia ser morta.
Ester estava vacilante, com medo, angustiada, sentido-se pressionada pela situação, estava figuradamente, numa “encruzilhada”, precisava decidir, mas essa decisão poderia custar a sua vida, da sua família e do seu povo; sua escolha era entre a vida e a morte.
No texto acima transcrito vemos claramente essa situação, mas algo em especial chama-me a atenção no texto: Ester não era a única possibilidade de Deus para o povo, mas talvez, essa fosse à única possibilidade de Deus para Ester.
Quando Mardoqueu manda dizer-lhe: “... se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá... e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?”. Vejo aqui um prenuncio de que propósitos em nossas vidas existem, ainda que não os tenhamos identificado.
Ao lermos a continuidade do texto vemos que Ester, venceu o medo, falou com o rei e livrou o povo; mas fez tudo isso porque as palavras de Mardoqueu mexeram com ela, – e ambos foram impulsionados pelo Espírito de Deus – percebeu que não tinha deixado de ser uma simples escrava hebréia para tornar-se rainha por acaso, mas por propósito.
Como o espaço não é longo e o seu tempo para ler também não. Quero deixar aqui dessa história pelo menos três lições:
1. Nos momentos angustiantes da vida, reflita se não são eles os momentos oportunos para agir;
2. Em situações limites, temer o incerto e não agir, nos traz uma única certeza: a de que escolhemos as nossas angustias e não as possibilidades de mudança;
3. Nós podemos escolher entre o acaso ou propósito, escolhendo o primeiro teremos sempre uma desculpa, escolhendo o segundo, teremos sempre uma possibilidade.
Eli Cassiano – refletindo o nosso tempo.
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